terça-feira, 29 de maio de 2012

DEUS & O "INOMINÁVEL"

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Nota: Este artigo é sobre Deus de uma perspectiva monoteísta. Veja divindade para informações do ponto de vista não-monoteísta. Veja também o artigo deidade. Para outros significados da palavra, veja Deus (desambiguação).
Deus

Os Elementos: Terra, Ar, Água e Fogo.
Ao longo da história da humanidade a ideia ou compreensão de Deus assumiu várias concepções em todas sociedades e grupos já existentes, desde as primitivas formas pré-clássicas das crenças provenientes das tribos da Antiguidade até os dogmas das modernas religiões da civilização atual.
Deus muitas vezes é expressado como o criador e Senhor do universo. Teólogos têm relacionado uma variedade de atributos para concepções de Deus muito diferentes. Os mais comuns entre essas incluem onisciência, onipotência, onipresença, benevolência (bondade perfeita), simplicidade divina, zelo, sobrenatural, eternidade e de existência necessária.
Deus também tem sido compreendido como sendo incorpóreo, um ser com personalidade divina, a fonte de toda a obrigação moral, e o "maior existente".[1] Estes atributos foram todos suportados em diferentes graus anteriormente pelos filósofos teológicos judeus, cristãos e muçulmanos, incluindo Rambam,[2] Agostinho de Hipona[2] e Al-Ghazali,[3] respectivamente. Muitos filósofos medievais notáveis desenvolveram argumentos para a existência de Deus,[3] tencionando combater as aparentes contradições implicadas por muitos destes atributos.

Índice

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Etimologia e uso

Tanto a forma capitalizada do termo Deus, quanto seu diminutivo, que vem a simbolizar divindades, deidades em geral, tem origem no termo latino para Deus, divindade ou deidade. Português é a única língua românica neolatina que manteve o termo em sua forma nominativa original com o final do substantivo em "us", diferentemente do espanhol dios, francês dieu, italiano dio e do romeno, língua que distingue Dumnezeu, criador monoteísta e zeu, ser idolatrado.
O latim Deus e divus, assim como o grego διϝος = "divino" descendem do Proto-Indo-Europeu*deiwos = "divino", mesma raiz que Dyēus, a divindade principal do panteão indo-europeu, igualmente cognato do grego Ζευς (Zeus). Na era clássica do latim o vocábulo era uma referência generalizante a qualquer figura endeusada e adorada pelos pagãos e atualmente no mundo cristão é usada hodiernamente em frases e slogans religiosos, como por exemplo, Deus sit vobiscum, variação de Dominus sit vobiscum, "o Senhor esteja convosco",o hino litúrgico católico Te Deum, proveniente de Te Deum Laudamus, "A Vós, ó Deus, louvamos"e a expressão que advém da tragédia grega Deus ex machina. Virgílio com Dabit deus his quoque finem, "Deus trará um fim à isto". O grito de guerra utilizado no Império Romano Tardio e no Império Bizantino, nobiscum deus, "Deus está conosco", assim como o grito das cruzadas Deus vult, "assim quer Deus", "esta é a vontade de Deus".
Em latim existiam as expressões interjectivas "O Deus meus" e "Mi Deus", correspondentes ao português (Oh) meu Deus!, (Ah) meu Deus!, Deus meu!.
Dei é uma forma flexionada ou declinada de Deus, usada em expressões utilizadas pelo Vaticano, como as organizações católicas apostólicas romanas Opus Dei (Obra de Deus, sendo obra oriunda de opera), Agnus Dei (Cordeiro de Deus) e Dei Gratia (Pela Graça de Deus). Geralmente trata-se do caso genitivo ("de Deus"), mas é também a forma plural primária adicionada à variante di. Existe o outro plural, dii, e a forma feminina deae ("deusas").
A palavra Deus, através da forma declinada Dei, é a raiz de deísmo, panteísmo, panenteísmo, e politeísmo, ironicamente tratam-se todas de teorias na qual qualquer figura divina é ausente na intervenção da vida humana. Essa circunstância curiosa originou-se do uso de "deísmo" nos séculos XVII e XVIII como forma contrastante do prevalecente "teísmo". Teísmo é a crença em um Deus providente e interferente.
Seguidores dessas teorias e ocasionalmente, seguidores do panteísmo, podem vir a usar em variadas línguas, especialmente no inglês o termo "Deus" ou a expressão "o Deus" (the God), para deixar claro de que a entidade discutida não trata-se de um Deus teísta. Arthur C. Clarke usou-o em seu romance futurista, 3001: The Final Odyssey. Nele, o termo "Deus" substituiu "God" no longínquo século XXXI, pois "God" veio a ser associado com fanatismo religioso. A visão religiosa que prevalece em seu mundo fictício é o Deísmo.
São Jerônimo traduziu a palavra hebraica Elohim (אֱלוֹהִים, אלהים) para o latim como Deus.
A palavra pode assumir conotações negativas em algumas utilizações. Na filosofia cartesiana, a expressão Deus deceptor é usada para discutir a possibilidade de um "Deus malévolo" que procura iludir-nos. Esse personagem tem relação com um argumento cético que questiona até onde um demônio ou espírito mau teria êxito na tentativa de impedir ou subverter o nosso conhecimento. Outra é deus otiosus ("Deus ocioso"), um conceito teológico para descrever a crença num Deus criador que se distancia do mundo e não se envolve em seu funcionamento diário. Um conceito similar é deus absconditus ("Deus absconso ou escondido") de São Tomás de Aquino. Ambas referem-se a uma divindade cuja existência não é prontamente reconhecida nem através de contemplação ou exame ocular de ações divinas in loco. O conceito de deus otiosus frequentemente sugere um Deus que extenuou-se da ingerência que tinha neste mundo e que foi substituído por deuses mais jovens e ativos que efetivamente se envolvem, enquanto deus absconditus sugere um Deus que conscientemente abandonou este mundo para ocultar-se alhures.
A forma mais antiga de escrita da palavra germânica Deus vem do Codex Argenteus cristão do século VI. A própria palavra inglesa é derivada da Proto-Germânica "ǥuđan". A maioria dos lingüistas concordam que a forma reconstruída da Proto-Indo-Européia (ǵhu-tó-m) foi baseada na raiz (ǵhau(ə)-), que significa também "chamar" ou "invocar".[4]
A forma capitalizada Deus foi primeiramente usada na tradução gótica Wulfila do Novo Testamento, para representar o grego "Theos". Na língua inglesa, a capitalização continua a representar uma distinção entre um "Deus" monoteísta e "deuses" no politeísmo.[5] Apesar das diferenças significativas entre religiões como o Cristianismo, Islamismo, Hinduísmo, a Fé Bahá'í e o Judaísmo, o termo "Deus" permanece como uma tradução inglesa comum a todas. O nome pode significar deidades monoteísticas relacionadas ou similares, como no monoteísmo primitivo de Akhenaton e Zoroastrismo.

Nome

A palavra Deus no latim, em inglês God e suas traduções em outras línguas como o grego Θεός, eslavo Bog, sânscrito Ishvara, ou arábico Alá são normalmente usadas para toda e qualquer concepção. O mesmo acontece no hebraico El, mas no judaísmo, Deus também é utilizado como nome próprio, o Tetragrama YHVH, que acredita-se referir-se à origem henoteística da religião. Na Bíblia, quando a palavra "Senhor" está em todas as capitais, isto significa que a palavra representa o tetragrama.[6]
Deus também pode receber um nome próprio em correntes monoteísticas do hinduísmo que enfatizam sua natureza pessoal, com referências primitivas ao seu nome como Krishna-Vasudeva na Bhagavata ou posteriormente Vixnu e Hari,[7] ou recentemente Shakti.
É difícil desenhar uma linha entre os nomes próprios e epítetas de Deus, como os nomes e títulos de Jesus no Novo Testamento, os nomes de Deus no Qur'an ou Alcorão ou Corão, e as várias listas de milhares de nomes de Deus e a lista de títulos e nomes de Krishna no Vixnuísmo.
Nas religiões monoteístas atuais (Cristianismo, judaísmo, zoroastrismo, islamismo, sikhismo e a Fé Bahá'í), o termo "Deus" refere-se à ideia de um ser supremo, infinito, perfeito, criador do universo, que seria a causa primária e o fim de todas as coisas. Os povos da mesopotâmia o chamavam pelo Nome, escrito em hebraico como יהוה (o Tetragrama YHVH). Mas com o tempo deixaram de pronunciar o seu nome diretamente, apenas se referindo por meio de associações e abreviações, ou através de adjetivos como "O Salvador", "O Criador" ou "O Supremo", e assim por diante.
Um bom exemplo desse tipo de associação, ainda estão presentes em alguns nomes e expressões hebraicos, como Rafael ("curado por Deus" - El), e árabes, por exemplo Abdallah ("servo - abd - de Deus" - Allah).
Muitas traduções das Bíblias cristãs grafam a palavra, opcionalmente, com a inicial em maiúscula, ou em versalete (DEUS), substituindo a transcrição referente ao tetragrama, YHVH, conjuntamente com o uso de SENHOR em versalete, para referenciar que se tratava do impronunciável nome de Deus, que na cultura judaica era substituído pela pronúncia Adonay.
As principais características deste Deus-Supremo seriam:
  • a Onipotência: poder absoluto sobre todas as coisas;
  • a Onipresença: poder de estar presente em todo lugar; e:
  • a Onisciência: poder de saber tudo.
Essas características foram reveladas aos homens através de textos contidos nos Livros Sagrados, quais sejam:
Esses livros relatam histórias e fatos envolvendo personagens escolhidos para testemunhar e transmitir a vontade divina na Terra ao povo de seu tempo, tais como:

A existência de Deus

Há milênios, a questão da existência de Deus foi levantada dentro do pensamento do homem, e os principais conceitos filosóficos que investigam e procuram respostas sobre esse assunto, são:
  • Deísmo – Doutrina que considera a razão como a única via capaz de nos assegurar da existência de Deus, rejeitando, para tal fim, o ensinamento ou a prática de qualquer religião organizada. O deísmo é uma postura filosófica-religiosa que admite a existência de um Deus criador, mas rejeita a idéia de revelação divina.

Percentagem de pessoas que, na Europa, afirmaram acreditar num Deus. Note que os países da Europa Oriental de maioria ortodoxa (como Grécia e Roménia) ou muçulmano (Turquia) apresentam percentagem mais elevadas.
  • Teísmo – O teísmo é um conceito surgido no século XVII,[8] contrapondo-se ao ateísmo, deísmo e panteísmo. O teísmo sustenta a existência de um Deus (contra o ateísmo), ser absoluto transcendental (contra o panteísmo), pessoal, vivo, que atua no mundo através de sua providência e o mantém (contra o deísmo). No teísmo a existência de um Deus pode ser provada pela razão, prescindindo da revelação; mas não a nega. Seu ramo principal é o teísmo Cristão, que fundamenta sua crença em Deus na Sua revelação sobrenatural através da Bíblia. Existe ainda o teísmo agnóstico, que é a filosofia que engloba tanto o teísmo quanto o agnosticismo. Um teísta agnóstico é alguém que admite não poder ter conhecimento algum acerca de Deus, mas decide acreditar em Deus mesmo assim. A partir do teísmo se desenvolve a Teologia, que é encarada principalmente, mas não exclusivamente, do ponto de vista da . Embora tenha suas raízes no teísmo, pode ser aplicada e desenvolvida no âmbito de todas as religiões. Não deve ser confundida com o estudo e codificação dos rituais e legislação de cada credo.
  • Ateísmo – O ateísmo engloba tanto a negação da existência de divindades quanto a simples ausência da crença em sua existência.
  • Agnosticismo – Dentro da visão agnóstica, não é possível provar racional e cientificamente a existência de Deus, como também é igualmente impossível provar a sua inexistência. O agnóstico pode ser teísta ou ateísta, dependendo da posição pessoal de acreditar (sem certeza) na existência ou não de divindades.
Além de estudos de livros considerados sagrados como a Bíblia, muitos argumentam que pode-se conhecer sobre Deus e suas qualidades, observando a natureza e suas criações. Argumentam que existe evidência científica de uma fonte de energia ilimitada, e que esta poderia ter criado a substância do universo, e que por observarem a ordem, o poder e a complexidade da criação, tanto macroscópica quanto microscópica, muitos chegaram a admitir a existência de Deus.

Concepções de Deus


Detalhe da Capela sistina fresco Criação do sol e da lua por Michelangelo (completada em 1512).
As concepções de Deus variam amplamente. Filósofos e teólogos têm estudado inúmeras concepções de Deus desde o início das civilizações.
As concepções abraâmicas de Deus incluem a visão cristã da Trindade, a definição cabalística de Deus do misticismo judaico, e os conceitos islâmicos de Deus. As religiões indianas diferem no seu ponto de vista do divino: pontos de vista de Deus no hinduísmo variam de região para região, seita, e de casta, que vão desde as monoteístas até as politeístas; o ponto de vista de Deus no budismo praticamente não é teísta. Nos tempos modernos, mais alguns conceitos abstratos foram desenvolvidos, tais como teologia do processo e teísmo aberto. Concepções de Deus formuladas por pessoas individuais variam tanto que não há claro consenso sobre a natureza de Deus.[9] O filósofo francês contemporâneo Michel Henry tem proposto entretanto uma definição fenomenológica de Deus como a essência fenomenológica da vida.
  • Doutrina espírita – Considera Deus a inteligência suprema, causa primeira de todas as coisas, eterno, imutável, imaterial, único, onipotente e soberanamente justo e bom. Todas as leis da natureza são leis divinas, pois Deus é seu autor.
  • Martinismo – Nesta doutrina, podemos encontrar no livro Corpus Hermeticum a seguinte citação: "vejo o Todo, vejo-me na mente… No céu eu estou, na terra, nas águas, no ar; estou nos animais, nas plantas. Estou no útero, antes do útero, após o útero -estou em todos os lugares."
  • Teosofia, baseada numa interpretação não-ortodoxa das doutrinas místicas orientais e ocidentais, afirma que o Universo é, em sua essência, espiritual e o homem é um ser espiritual em progresso evolutivo cujo ápice é conhecer e integrar a Realidade Fundamental, que é Deus.
  • Algumas pessoas especulam que Deus ou os deuses são seres extra-terrestres. Muitas dessas teorias sustentam que seres inteligentes provenientes de outros planetas visitaram a Terra no passado e influenciaram no desenvolvimento das religiões. Alguns livros, como o livro "Eram os Deuses Astronautas?" de Erich von Däniken, propõem que tanto os profetas como também os messias foram enviados ao nosso mundo com o objetivo exclusivo de ensinar conceitos morais e encorajar o desenvolvimento da civilização.
  • Especula-se também que toda a religiosidade do homem criará no futuro uma entidade chamada Deus, a qual emergirá de uma inteligência artificial. Arthur Charles Clarke, um escritor de ficção científica, disse em uma entrevista que: "Pode ser que nosso destino nesse planeta não seja adorar a Deus, mas sim criá-Lo".
  • Outros especulam que as religiões e mitos são derivados do medo. Medo da morte, medo das doenças, medo das calamidades, medo dos predadores, medo do desconhecido. Com o passar do tempo, essas religiões foram subjugadas sob a tutela das autoridades dominantes, as quais se transformaram em governantes divinos ou enviados pelos deuses. Dessa forma, a religião é simplesmente um meio para se dominar a massa. Napoleão Bonaparte disse que: "o povo não precisa de Deus, mas precisa de religião", o que quer dizer que a massa necessita de uma doutrina que lhe discipline e lhe estabeleça um rumo, sendo que Deus é um detalhe meramente secundário.

Abordagens teológicas

Teólogos e filósofos atribuíram um número de atributos para Deus, incluindo onisciência, onipotência, onipresença, amor perfeito, simplicidade, e eternidade e de existência necessária. Deus tem sido descrito como incorpóreo, um ser com personalidade, a fonte de todos as obrigações morais, e concebido como o melhor ser existente.[1] Estes atributos foram todos atribuídos em diferentes graus por acadêmicos judeus, cristãos e muçulmanos desde épocas anteriores, incluindo Santo Agostinho,[2] Al-Ghazali[3] e Maimonides.[2]
Muitos argumentos desenvolvidos por filósofos medievais para a existência de Deus,[3] tentaram compreender as implicações precisas dos atributos de Deus. Conciliar alguns desses atributos gerou problemas filosóficos e debates importantes. Por exemplo, a onisciência de Deus implica que Deus sabe como agentes livres irão escolher para agir. Se Deus sabe isso, a aparente vontade deles pode ser ilusória, ou o conhecimento não implica predestinação, e se Deus não sabe, então não é onisciente.[10]
Os últimos séculos de filosofia tem-se visto vigorosas perguntas sobre a argumentos para a existência de Deus levantadas pelos filósofos, tais como Immanuel Kant, David Hume e Antony Flew, apesar de Kant considerar que o argumento de moralidade era válido.
A resposta teísta tem sido de questionamentos, como Alvin Plantinga, que a fé é "adequadamente básica", ou a tomar, como Richard Swinburne, a posição evidencialista.[11] Alguns teístas concordam que nenhum dos argumentos para a existência de Deus são vinculativos, mas alegam que a não é um produto da razão, mas exige risco. Não haveria risco, dizem, se os argumentos para a existência de Deus fossem tão sólidos quanto as leis da lógica, uma posição assumida por Pascal como: "O coração tem razões que a razão não conhece."[12]
A maior parte das grandes religiões consideram a Deus, não como uma metáfora, mas um ser que influencia a existência de cada um no dia-a-dia. Muitos fiéis acreditam na existência de outros seres espirituais, e dão-lhes nomes como anjos, santos, djinni, demônios, e devas.

Teísmo e deísmo

O teísmo sustenta que Deus existe realmente, objetivamente, e independentemente do pensamento humano, sustenta que Deus criou tudo; que é onipotente e eterno, e é pessoal, interessado, e responde às orações. Afirma que Deus é tanto imanente e transcendente, portanto, Deus é infinito e de alguma forma, presente em todos os acontecimentos do mundo.
A teologia católica sustenta que Deus é infinitamente simples, e não está sujeito involuntariamente ao tempo. A maioria dos teístas asseguram que Deus é onipotente, onisciente e benevolente, embora esta crença levante questões acerca da responsabilidade de Deus para o mal e sofrimento no mundo. Alguns teístas atribuem a Deus uma auto-consciência ou uma proposital limitação da onipotência, onisciência, ou benevolência.
O Teísmo aberto, pelo contrário, afirma que, devido à natureza do tempo, a onisciência de Deus não significa que a divindade pode prever o futuro. O "Teísmo" é por vezes utilizado para se referir, em geral, para qualquer crença em um Deus ou deuses, ou seja, politeísmo ou monoteísmo.[13][14]
O Deísmo afirma que Deus é totalmente transcendente: Deus existe, mas não intervém no mundo para além do que era necessário para criá-lo. Em vista desta situação, Deus não é antropomórfico, e não responde literalmente às orações ou faz milagres acontecerem. É comum no deísmo a crença de que Deus não tem qualquer interesse na humanidade e pode nem sequer ter conhecimento dela. O pandeísmo e o panendeísmo, respectivamente, combinam as crenças do deísmo com o panteísmo ou panenteísmo.

Posições científicas e críticas a respeito da ideia de Deus

Stephen Jay Gould propôs uma abordagem dividindo o mundo da filosofia no que ele chamou de "magistérios não sobrepostos". Nessa visão, as questões do sobrenatural, tais como as relacionadas com a existência e a natureza de Deus, são não-empíricas e estão no domínio próprio da teologia. Os métodos da ciência devem ser utilizadas para responder a qualquer questão empírica sobre o mundo natural, e a teologia deve ser usada para responder perguntas sobre o propósito e o valor moral. Nessa visão, a percepção de falta de qualquer passo empírico do magistério do sobrenatural para eventos naturais faz da ciência o único ator no mundo natural.[15]
Outro ponto de vista, exposto por Richard Dawkins, é que a existência de Deus é uma questão empírica, com o fundamento de que "um universo com um deus seria um tipo completamente diferente de um universo sem deus, e poderia ser uma diferença científica ".[16]
Carl Sagan argumentou que a doutrina de um Criador do Universo era difícil de provar ou rejeitar e que a única descoberta científica concebível que poderia trazer desafio seria um universo infinitamente antigo.[17]

Antropomorfismo

Pascal Boyer argumenta que, embora exista uma grande variedade de conceitos sobrenaturais encontrados ao redor do mundo, em geral seres sobrenaturais tendem a se comportar tanto como as pessoas. A construção de deuses e espíritos como as pessoas é um dos melhores traços conhecidos da religião. Ele cita exemplos de mitologia grega, que é, na sua opinião, mais como uma novela moderna do que outros sistemas religiosos.[18] Bertrand du Castel e Timothy Jurgensen demonstram através de formalização que o modelo explicativo de Boyer corresponde ao que a epistemologia física faz ao trabalhar com entidades não diretamente observáveis como intermediários.[19] O antropólogo Stewart Guthrie afirma que as pessoas projetam características humanas para os aspectos não-humanos do mundo, porque isso torna esses aspectos mais familiares. Sigmund Freud também sugeriu que os conceitos de Deus são projeções de um pai.[20]
Da mesma forma, Émile Durkheim foi um dos primeiros a sugerir que os deuses representam uma extensão da vida social humana para incluir os seres sobrenaturais. Em linha com esse raciocínio, o psicólogo Matt Rossano afirma que quando os humanos começaram a viver em grupos maiores, eles podem ter criado os deuses como um meio de garantir a moralidade. Em pequenos grupos, a moralidade pode ser executada por forças sociais, como a fofoca ou a reputação. No entanto, é muito mais difícil impor a moral usando as forças sociais em grupos muito maiores. Ele indica que, ao incluir sempre deuses e espíritos atentos, os humanos descobriram uma estratégia eficaz para a contenção do egoísmo e a construção de grupos mais cooperativos.[21]
O anarquista Mikhail Bakunin critica a idéia de Deus como sendo uma idéia criada pelas elites (reis, senhores de escravos, senhores feudais, sacerdotes, capitalistas) que busca justificar a sociedade autoritária projetando ideologicamente as relações de dominação para o universo como um todo (Deus como senhor ou rei e o universo como escravo ou súdito). A idéia de Deus serviria como um instrumento de dominação cuja função seria fazer os dominados aceitarem sua exploração como se fosse um fato natural, cósmico e eterno, ou seja, um fato do qual não podem fugir, restando-lhes apenas a opção de resignarem-se.[22]

Referências

  1. a b Swinburne, R.G. "God" in Honderich, Ted. (ed)The Oxford Companion to Philosophy, Oxford University Press, 1995.
  2. a b c d Edwards, Paul. "Deus e os filósofos" em Honderich, Ted. (ed)The Oxford Companion to Philosophy, Oxford University Press, 1995.
  3. a b c d Plantinga, Alvin. "Deus, Argumentos para a sua Existência," Enciclopédia Routledge de Filosofia, Routledge, 2000.
  4. A etimologia ulterior é disputada. À parte a hipótese improvável de adoção de uma língua estrangeira, o OTeut. "ghuba" implica como seu tipo pretérito também "*ghodho-m" ou "*ghodto-m". O anterior não parece admitir explicação; mas o posterior representaria o neutro "pple" da raiz "gheu-". Existem duas raízes arianas da forma requerida ("*g,heu-" with palatal aspirate) uma significando 'invocar' (Skr. "hu") a outra "a derramar, para oferecer sacrifícios" (Skr "hu", Gr. χεηi;ν, OE "geotàn" Yete v). OED Compact Edition, G, p. 267
  5. Michaelis Deus - sm (lat Deus) (em português). "1 O Ser supremo; o espírito infinito e eterno, criador e preservador do Universo. 2 Teol Ente tríplice e uno, infinitamente perfeito, livre e inteligente, criador e regulador do Universo. 3 Cada uma das pessoas da Santíssima Trindade. 4 Indivíduo ou personagem que, por qualidades extraordinárias, se impõe à adoração ou ao amor dos homens. 5 Objeto de um culto, ou de um desejo ardente que se antepõe a todos os outros desejos ou afetos. 6 Cada uma das divindades masculinas do politeísmo. Pl: deuses. Fem: Deusa. Deus-dará: na locução adverbial ao deus-dará: à toa, descuidadamente, a esmo, ao acaso. Nem à mão de Deus Padre: por forma nenhuma, apesar de todas as contradições."
  6. Barton, G. A.. A Sketch of Semitic Origins: Social and Religious. [S.l.]: Kessinger Publishing, 2006. ISBN 142861575X
  7. Hastings 2003, p. 540.
  8. R. Cudworth, 1678.
  9. DOES GOD MATTER? A Social-Science Critique. by Paul Froese and Christopher Bader. Página visitada em 2007-05-28.
  10. Wierenga, Edward R. "Divino conhecimento", em Audi, Robert. The Cambridge Companion to Philosofy. Cambridge University Press, 2001.
  11. Beaty, Michael. (1991). "God Among the Philosophers". The Christian Century. Página visitada em 2007-02-20.
  12. Pascal, Blaise. Pensées, 1669.
  13. Philosophy of Religion.info - Glossary - Theism, Atheism, and Agonisticism. Philosophy of Religion.info. Página visitada em 16 de julho de 2008.
  14. Theism - definiton of thesim by the Free Online Dictionary, Thesaurus and Encyclopedia. TheFreeDictionary. Página visitada em 16 de julho de 2008.
  15. Dawkins, Richard. The God Delusion. Great Britain: Bantam Press, 2006. ISBN 0-618-68000-4
  16. Dawkins, Richard. Why There Almost Certainly Is No God. The Huffington Post. Página visitada em 2007-01-10.
  17. Sagan, Carl. The Demon Haunted World p.278. New York: Ballantine Books, 1996. ISBN 0-345-40946-9
  18. Boyer, Pascal. Religion Explained,. New York: Basic Books, 2001. 142–243 p. ISBN 0-465-00696-5
  19. du Castel, Bertrand. Computer Theology,. Austin, Texas: Midori Press, 2008. 221–222 p. ISBN 0-9801821-1-5
  20. Barrett, Justin. (1996). "Conceptualizing a Nonnatural Entity: Anthropomorphism in God Concepts".
  21. Rossano, Matt. (2007). "Supernaturalizing Social Life: Religion and the Evolution of Human Cooperation". Página visitada em 2009-06-25.
  22. Mikhail Bakunin, Deus e o Estado (1882)

Ver também

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Abentofail (c. 1110-1185), filósofo e médico hispano-árabe. Suas idéias filosóficas centram-se no problema da união do entendimento humano com Deus. A principal obra que escreveu ficou conhecida no Ocidente com o título de “O filósofo autodidata”.
Abraão, patriarca bíblico e, segundo o livro do Gênesis (11,27; 25,10), pai dos hebreus. Consta que viveu entre os anos 2000 e 1500 a.C. Nasceu em Ur, onde se casou com Sara. Deus prometeu fazer dele uma "grande nação". Teve dois filhos, Ismael, nascido de Agar, uma escrava egípcia, e Isaac, nascido de Sara. Deus exigiu que Abraão sacrificasse seu segundo filho como prova de fé. Diante de sua inquebrantável obediência, permitiu sua salvação e o recompensou com uma renovação formal da promessa que fizera. Abraão era considerado pelos muçulmanos — que o chamavam de Ibrahim — como um antepassado dos árabes, por causa de seu filho Ismael.
Absoluto, termo utilizado para denotar aquilo que independe de alguém e não é limitado por nada. Em Ética significa um valor que é bom em si mesmo e não porque, através dele, possa-se obter algo. Princípio absoluto é aquele que não admite exceções. Na Teoria Política, Absoluto é o que todos devem acatar. Para a Teologia e a Metafísica, a palavra faz referência a Deus.
Absolvição (religião), termo utilizado na teologia cristã para referir-se a uma parte do sacramento da penitência, mediante o qual o sacerdote, como ministro de Deus, garante aos penitentes que se confessam o perdão de seus pecados. As doutrinas protestantes não admitem a necessidade de absolvição sacramental. Afirmam que a remissão dos pecados se alcança através do reconhecimento direto dos pecados diante de Deus.
Lúcifer, na Antigüidade, nome do planeta Vênus, chamado na Babilônia de Lúcifer, filho da Aurora. A forma latina deste vocábulo deriva da associação Lux-Fert ("o que leva a luz"). No Antigo Testamento (Is. 14,12), faz-se referência ao episódio em que Satã cai em desgraça, ao aludir à expulsão dos céus da Estrela da Aurora. Os padres da Igreja começaram a identificar Satã com Lúcifer. Sua sinonímia com Diabo ou Demônio, segundo elementos de superstição popular, tornou-o um vocábulo de pronúncia tabu, pois o ser demoníaco apareceria para aqueles que dizem seu nome. Em função disto, surgiu uma riqueza de sucedâneos para designá-lo, fugindo à verbalização destes três termos: Capeta, Cão, Capiroto, Cramulhão, Coisa Ruim, Diacho, Dianho, Diogo, Maligno, o Tal etc.
Achebe, Chinua (1930- ), romancista e poeta nigeriano. Seu primeiro romance, O mundo se desmorona (1958), é uma resposta entre amarga e irônica ao modo como a África e os africanos são retratados pela literatura européia. Outros livros importantes são A flecha de Deus (1964) e Um homem do povo (1966), entre outras obras. Sem concessões ao sentimentalismo, freqüentemente com humor, transmite as tradições e a fala do povo Ibo. Desde 1971, colabora com a revista literária Okike, uma das mais influentes da África.
Adocionismo, heresia cristã semelhante ao nestorianismo, que sustentava que Cristo como homem só foi aceito por ser o primeiro Filho nascido de Deus.
Ágape, entrega de si mesma que faz a pessoa que ama. Expressa também a relação da pessoa com Deus. Além disso, designa a refeição fraternal celebrada pelos primeiros cristãos, agora denominada eucaristia.
Agnosticismo, doutrina que afirma que a existência de Deus e de outros seres espirituais não é nem certa nem impossível. A postura agnóstica se diferencia tanto do teísmo, que afirma a existência de tais seres, como do ateísmo, que a nega.
Ahmadu, algumas vezes chamado de seku — chefe — Ahmadu (1775-1844), reformista muçulmano fula e líder do reino de Macina, região entre Ségou e Tombuctu, que atualmente corresponde ao Mali. Influenciado pelo pesquisador islâmico Usman Dan Fodio, transformou-se em professor, mas logo rebelou-se contra o governante pagão de sua terra natal e liderou a conspiração que o derrubou (ver Islã). Iniciou a jihad contra os tuaregues e o império Songhai e, em 1826, conquistou Tombuctu. Depois de fundar uma capital em Hamdallahi (em árabe, “Deus seja louvado”), Ahmadu governou seu império até morrer. Considerado um dos três grandes líderes da jihad da África Ocidental, Ahmadu foi sucedido pelo seu filho e neto, sendo esse último capturado e assassinado por al-Hajj Umar em 1862.
Alá, do árabe Allah, nome dado no Islã a Deus, que é único, perfeito, não criado, eterno, onipotente e criador. Maomé utilizou este nome, já existente nas culturas pré-islâmicas, para referir-se ao único Deus do qual era profeta. Segundo a tradição islamita, existem 99 nomes para referir-se a Deus. Estes nomes são chamados de Os Mais Formosos. No tocante aos problemas relativos à natureza de Deus e sua relação com o mundo, criou-se uma complexa teologia que, no mundo islâmico, denomina-se Kalam. Um dos principais problemas discutidos é se as atitudes humanas são realizadas por vontade própria ou predeterminadas por Deus. Por um lado, Deus é visto como a causa e criador de todas as coisas. Por outro, Deus torna os homens responsáveis por seus atos e os premia ou pune de acordo com eles. Estas duas proposições são contraditórias. Uma afirma o poder absoluto de Deus; a outra, a responsabilidade do homem diante das próprias decisões. Outro problema que preocupa os teólogos muçulmanos é se Deus tem atributos e, caso seja assim, como esses atributos se relacionam com a natureza divina. A controvérsia, no que tange aos atributos, estende-se a outros temas, associando-se, por exemplo, ao argumento sobre se o Alcorão é criado ou não. Outro aspecto da discussão é sobre a linguagem usada pelas pessoas para falarem com Deus. Em geral, os muçulmanos referem-se a Deus de maneira antropomórfica. Na Bíblia, Deus é descrito, entre outras formas, sentado num trono.
Alain de Lille (1128?-1203), teólogo (ver Teologia), apologista e poeta flamengo, provavelmente nascido em Lille, hoje uma cidade no norte da França. Alain é famoso por seu longo poema alegórico, Anticlaudianus, que alcançou imensa popularidade nas escolas medievais (ver Idade Média). Apesar de ter feito conferências, atingindo uma posição de destaque na Universidade de Paris, pouco se sabe sobre sua vida. Em algum momento após sua estada em Paris, Alain ingressou na ordem monástica de Cister (ver Cistercienses). Provavelmente, mudou-se para o sul e ingressou na ordem para poder participar da cruzada missionária contra os albigenses, uma seita herética seguidora do dualismo, ou seja, a crença na existência de um deus do bem e de outro do mal. O poema mais famoso de Alain é Anticlaudianus. Seu tema e título são retirados da obra do poeta romano Claudiano, onde os vícios são usados para causar a ruína de um prefeito romano. A obra de Alain, ao contrário, busca nas virtudes a criação do homem perfeito. Uma outra obra de Alain de Lille, De Planctu Naturae, é dominada pela figura alegórica da natureza. Seus poemas, tratados teológicos e morais e suas composições de oratória traçam-lhe um perfil renascentista, em pleno século XII (ver Renascimento). Sua obra teológica mais completa, De Arte seu Articulis Catholicae Fidei, versa sobre temas que vão desde verdades insubstanciais até demonstrações lógicas. Alain de Lille tinha conhecimento da literatura da época, dos escritores romanos Cícero e Quintiliano, do filósofo romano Boécio, dos escritores cristãos do ocidente e das obras filosóficas baseadas nos ensinamentos de Platão. No entanto, não tomou conhecimento de Aristóteles e dos pensadores árabes que iriam influenciar profundamente a filosofia do século XIII. Alain comprometia-se teologicamente com o neoplatonismo, a síntese da filosofia de Platão, ensinada na escola de Chartres, na França. Ele foi o primeiro pensador medieval a escrever uma obra contra os hereges (ver Heresia) de sua época, e desta forma, precedeu o teólogo do século XIII, Santo Tomás de Aquino, cuja obra-prima no gênero é o Summa contra Gentiles (1261-1264).
Albigenses, seguidores da heresia mais importante dentro da Igreja católica durante a idade média. Devem seu nome à cidade de Albi, na França. Eram seguidores do sistema maniqueísta dualístico: existência independente de dois deuses, um do bem (Jesus Cristo) e outro do mal (Satã). Estavam divididos em dois grupos, os simples crentes e os “perfeitos”. Estes se obrigavam a levar vidas de um ascetismo extremo. Os simples crentes podiam aspirar à perfeição depois de um longo e duro período de iniciação. O papa Inocêncio III lançou a Cruzada albigense (1209-1229), que reprimiu seus seguidores de forma brutal. Só pequenos grupos sobreviveram e, mesmo assim, logo foram perseguidos pela Inquisição até fins do século XIV. Ver Dualismo; Maniqueísmo; Cátaros.
Alma, em muitas regiões e filosofias, elemento imaterial que, junto como o corpo, constitui o ser humano. Em geral, concebe-se a alma como um princípio interno, vital e espiritual. No Oriente, a alma (atmám) define a identidade e a consciência, acrecentando-lhe uma dimensão eterna ao ficar presa no ciclo da reencarnação até atingir a purificação. No judaísmo primitivo define-se a personalidade humana sem fazer uma clara distinção entre corpo e alma. A doutrina cristã sustenta que cada indivíduo tem uma alma imortal e que, em seu conjunto, alma e corpo ressuscitados estarão em presença de Deus depois do Juízo Final. Segundo o Islã, Deus dotou de alma cada ser humano e, na hora da morte, o espírito dos crentes é levado até ele. O islamismo divide o céu em patamares cada vez mais sedutores e oferece, aos que morrem na guerra santa (Jihad), a entrada imediata no melhor deles, o sétimo. No sétimo céu existem rios de mel, campos floridos, mulheres belas deitadas em almofadas de pérolas e jovens másculos e sedutores.
Anabatistas, seitas religiosas protestantes que surgiram na Europa durante a Reforma. Acreditavam que a fé que cada pessoa tivesse em Deus era de suprema importância, defendiam a não-violência e eram contra as igrejas governadas pelo Estado. Este movimento se baseava em congregações voluntárias de convertidos e batizavam seus membros adultos, mesmo que já tivessem sido batizados na infância. Os grupos anabatistas mais representativos são os Irmãos Suíços, os Irmãos de Hutterian e os menonitas.
Anjo, espírito celestial considerado mensageiro, ou intermediário, entre Deus ou os deuses e os homens. Enviados para instruí-los, informá-los ou dirigi-los, podem atuar também como guardiães protetores. A religião cristã ensina que têm liberdade para escolher entre o bem e o mal; existem, portanto, anjos bons e anjos caídos ou maus. Baseando-se nas tradições do judaísmo e do cristianismo, que eram tidas como autênticas revelações anteriores à revelação final de Maomé, o islã desenvolveu sua própria hierarquia angelical. Muitos de seus anjos, tais como os arcanjos Miguel e Gabriel, mostram sua clara inspiração judaico-cristã.
Apocalipse, último livro do Novo Testamento, rico em alegorias e sujeito a numerosas interpretações legítimas. Em certas oportunidades, a obra é denominada Revelação. O autor chama a si mesmo de João, e a tradição eclesiástica mantém que se trata de São João Evangelista. Entretanto, muitos especialistas se sentem mais inclinados a atribuir o texto a algum outro destacado e primitivo cristão. A opinião geral é de que foi escrito na ilha de Patmos. Ali, talvez durante o reinado do imperador romano Vespasiano (69-79 d.C.) — ainda que, com maior probabilidade, tenha sido escrito durante o reinado do imperador Domiciano —, o autor ouviu "uma grande voz, como de trombeta", dizendo-lhe "o que vês, escreve-o em um livro e envia-o às sete Igrejas: a Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia" (1,10-11). O Apocalipse foi escrito para preparar os cristãos ante a última intervenção de Deus nos assuntos humanos. A Igreja primitiva acreditava que este acontecimento não tardaria a chegar. Quando se produzisse, começaria uma nova era no mundo, aquela em que Cristo e a Igreja seriam triunfantes. Entretanto, antes, agravariam-se e intensificariam-se os males e terrores da ordem mundial existente. O autor do Apocalipse interpretou a piora das condições dos cristãos no império romano de Domiciano como um sinal do começo deste período catastrófico. Tudo indica que o autor escreveu, sobretudo, para encorajar os cristãos a resistirem durante essa aterradora crise final, na confiante esperança do advento de uma iminente era justa para a eternidade. Em nossos dias, o Apocalipse é muito apreciado pela sua magnífica qualidade literária, por sua descrição de uma crise histórica do cristianismo, por sua sublime dramatização da luta contra o mal e por suas visões de Deus e sua última redenção eterna aos justos.
Arca da Aliança, no judaísmo, urna sagrada. Conhecida também como a Arca da Lei, a Arca do Testemunho ou a Arca de Deus. Continha a vara de Aarão, o maná e os Dez Mandamentos.
Arca de Noé, no Gênesis (capítulos 6-9), a nave na qual Noé salvou a si mesmo, à sua família e a "cada casal (...) de todo ser vivo (...) macho e fêmea" do dilúvio enviado por Deus para destruir a humanidade. A palavra portuguesa arca vem do latim arca, que significa baú ou cofre. Javé (Deus) deu a Noé instruções precisas sobre a estrutura e as dimensões da Arca, indicou o material a ser usado e como empregá-lo (Gênesis 6,14-16) e lhe ordenou que levasse para bordo um casal de cada animal existente.
Arianismo, heresia cristã do século IV d.C. que negava a divindade suprema de Jesus Cristo. Recebeu o nome de arianismo por ter sido criada pelo religioso egípcio Ário. Segundo o arianismo, o Filho de Deus, segunda pessoa da Trindade, não tinha a mesma essência do Pai, sendo uma divindade de segunda ordem já que nascera mortal. Os ensinamentos de Ário foram condenados no primeiro concílio de Nicéia, onde se redigiu um credo estabelecendo que o Filho de Deus era “concebido e não feito”, consubstancial ao Pai. As lutas internas dividiram os arianos. Os moderados concordaram com o credo de Nicéia mas se mantiveram céticos quanto ao termo “consubstancial”. Os neo-arianos defendiam que o Filho tinha uma essência diferente da do Pai. No Concílio de Constantinopla, celebrado em 381, a ortodoxia de Nicéia foi reafirmada. O arianismo teve muita força entre os visigodos espanhóis. O rei Leovigildo mandou executar seu próprio filho Hermenegildo por este ter abjurado de sua fé ariana.
Aristóteles (384-322 a.C.), filósofo e cientista grego. Estudou em Atenas, na Academia de Platão. Foi tutor de Alexandre III o Grande. Em Atenas, inaugurou o Liceu, que chegou a ser conhecido como escola peripatética. Sua filosofia se baseia na biologia, no empirismo e no formalismo (dedução racional). Em sua noção de causalidade, propõe quatro tipos de causas explicativas: a matéria, a causa eficiente ou motriz, a causa formal e a causa final. Em astronomia, Aristóteles delineia um Universo esférico e finito, tendo a Terra como centro, composta por quatro elementos: terra, ar, fogo e água, cada um dos quais com seu lugar adequado, determinado por sua “gravidade específica”, e que se movem em linha reta para o lugar que lhes corresponde. Os céus, porém, movem-se de forma natural e infinita, seguindo um complexo movimento circular, pois têm em sua composição um quinto elemento: o éter. Em zoologia, existe, segundo ele, um conjunto fixo de espécies, que se reproduzem de forma fiel a sua classe e formam uma escala que vai do mais simples ao mais complexo, o que torna a evolução impossível. Quanto à ética, distinguia dois tipos de “virtude”: a moral e a intelectual. Estabelecia uma ética elitista, na qual a excelência só pode ser alcançada pelo sexo masculino adulto, maduro e pertencente à classe alta. Sua contribuição à política não foi um estudo de estados ideais, de forma abstrata, e sim uma análise do modo pelo qual os ideais, as leis, os costumes e as propriedades se inter-relacionam em situações reais. A lógica aristotélica desenvolveu regras para estabelecer um raciocínio bem encadeado, que não levasse a falsas conclusões, partindo de premissas verdadeiras (regras de validade). Os nexos básicos eram os silogismos. Estabelecia uma distinção entre a lógica dialética e a analítica. Na área da metafísica, defendeu a existência de um ser divino ou “Primeiro Motor”, responsável pela unidade e pela significação da natureza, equivalente a Deus. Apesar disso, sua teologia se limitava ao que ele acreditava que a ciência precisa e deve postular.
Ateísmo, doutrina que nega a existência de Deus ou qualquer outra divindade. É diferente do agnosticismo. Com o desenvolvimento do conhecimento científico, o ateísmo transformou-se em uma tendência filosófica mais natural e aceita.
Brama (deus), no Rig-Veda (ver Vedas) designa o poder do mantra. Como a personificação do supremo Brahman, é o primeiro ser criado e o criador do Universo. Junto com Vishnu e Shiva, constitui a Trindade hindu.
Corpo de Deus, festa da Igreja Católica Apostólica Romana que honra a presença de Cristo no sacramento da eucaristia, estabelecida em 1264 pelo papa Urbano IV.
Demônio, nas religiões hebraica, cristã e islâmica, nome do espírito do mal que é a oposição de Deus. Na tradição judaica e nos primeiros pensamentos cristãos, o demônio tornou-se um adversário dos seres humanos e de Deus que, porém, sempre o submete. A personificação do demônio é uma variante judaica da suposição antiga de que os seres humanos estão submetidos à forças malignas. Desta forma, tanto no judaísmo, como no cristianismo, acredita-se que homens podem ser “possuídos” pelo Dibuk (espírito maligno).
Demônios, espíritos que tentam os seres humanos. Idéia que se identifica com a maldade, o vício, o comportamento sedutor e apavorante. O imaginário popular descreve o demônio em sua representação clássica: magro, com chifres e um rabo terminado em forma de seta. Sua presença é anunciada pelo cheiro de enxofre. Às vezes, aparecem como cães, bodes, porcos, moscas ou morcegos. Porém, não podem tomar a forma dos animais ligados ao presépio: boi, jumento, galo, ovelha. Presença constante na cultura popular, nas cantigas, nos cordéis e na linguagem onde, entre outros epítetos, é chamado de o "avesso do direito", Pedro Botelho, cambito, pé-preto, capeta, maioral, demo e excomungado. Os demônios fazem contratos de riqueza em troca da alma do contratante. Fogem dos cruzeiros, do sinal da cruz e da água benta. Conversam com seus devotos nas encruzilhadas à meia noite e são ligados às bruxas e feiticeiras. Na literatura oral são sempre derrotados. No conto popular há o ciclo do demônio logrado.
Deus, o ser supremo, princípio gerador do mundo nas religiões. Para o monoteísmo, um único Deus é o criador e origem de todas as coisas existentes, sendo descrito com atributos de perfeição: infinitude, imutabilidade, eternidade, bondade, conhecimento e poder. Deus pode ser transcendente — isto é, estar acima do mundo — ou imanente, presente em todo o universo. Nas grandes religiões monoteístas, Deus é venerado como uno, como a suprema unidade criadora de todas as coisas. O politeísmo ou crença em vários divindades, atribui a cada uma delas influência nas diferentes ordens do universo. Para o judaísmo, o ser humano foi feito à “imagem e semelhança” de Deus (Jeová). A compreensão hebraica de Deus é essencialmente antropomórfica e inclui a idéia de que Deus é rei, juiz e pastor. O cristianismo assumiu o deus hebraico e, com o tempo, as escrituras judaicas se tornaram no Antigo Testamento para os cristãos. No Novo testamento, Jesus foi enaltecido como pastor divino, criando-se, assim, tensão com a tradição monoteísta do judaísmo. A solução para o problema foi o surgimento da doutrina - existente em outras crenças anteriores - de Deus trino, a Trindade. O Espírito Santo — a igreja cristã ocidental afirma que o Espírito Santo provém do Pai e do Filho enquanto a oriental garante proceder só do Pai, controvérsia do filioque que deu origem ao cisma entre as igrejas cristã romana e cristã ortodoxa. O Espírito Santo é a Graça e é sobrenatural e transcendente. Aliás, quem encarna é o Filho, o que revela sua imanência. Para o Islã, Deus é Alá, pessoal, transcendente e único. Sua representação é proibida em qualquer forma de ser vivo. A principal crença islâmica é a proclamação “Não há outro Deus senão Alá, e Maomé é seu único profeta”. No hinduísmo, o Ser sagrado é Brahma, realidade única, eterna e absoluta. São reconhecidos muitos deuses, mas todos são manifestações de Brahma. Os três deuses principais,encarregados da criação, preservação e destruição, unem-se em Trimurti, ou os três poderes, antecedente da Trindade cristã. A Realidade Última, ou Ser Sagrado, constitui a ordem cósmica impessoal. No budismo mahayana da China e do Japão, o próprio Buda foi transformado em ser divino. O politeísmo se desenvolveu no Egito, Mesopotâmia, Grécia e Roma, a partir da crença em várias forças espirituais: o animismo. FUNDAMENTOS PARA A CRENÇA EM DEUS Dependendo dos períodos históricos e culturais, as concepções de Deus variam de forma considerável. Mas a fé em um Ser Sagrado predominou em quase todas as sociedades. Entretanto, esta crença tem sido submetida a dúvidas através de doutrinas como o ceticismo, o materialismo, ateísmo e outras formas de descrença. O teólogo do século XIII, São Tomás de Aquino, propôs cinco provas para a existência de Deus que ainda são aceitas de forma oficial pela Igreja Católica:– a realidade da mudança requer um agente de mudança;– a cadeia do acaso precisa basear-se numa causa primeira que não é causada;– os fatos contingentes do mundo (fatos que podem não ter sido como são) pressupõem um ser necessário;– Observa-se uma gradação nas coisas desde o ponto mais alto até o mais baixo e isto aponta para uma realidade perfeita, no ponto mais alto da hierarquia;– a ordem e o desenho da natureza solicitam, como fonte, um ser que possua a mais alta sabedoria. Emmanuel Kant rejeitou e refutou os raciocínios de Tomás de Aquino, sustentando a necessidade da existência de Deus como garantia de vida moral. Em última instância, a crença em Deus é um ato de fé que necessita estar enraizado na experiência pessoal. Esta ilustração para o Livro de Jó, de William Blake, ilustra o quarto capítulo quando Deus, através de uma tempestade, prova a Jó seu poder de criação.
Diabo, ser sobrenatural capaz de influir nos seres humanos através de meios malignos. Os demônios estão presentes na maioria das religiões, nas mitologias e na literatura. O exorcismo (expulsão do demônio do corpo de uma pessoa) é praticado, por alguém dotado de autoridade especial, em inúmeras religiões. O estudo dos demônios recebe o nome de Demonologia. A crença nos espíritos malignos e na capacidade de eles influirem na vida dos homens remonta a tempo muito antigo. A palavra demônio, do grego daimon, refere-se a entidades dotadas de poderes especiais, situadas entre os humanos e os deuses, e com capacidade de melhorar a vida das pessoas ou executar castigos divinos. Os demonios fazem parte do folclore popular em todo o mundo. Muitos têm características especiais. Entre eles, os vampiros que chupam o sangue de suas vítimas, o oni japonês que provoca tempestades e, em lendas escocesas, os kelpies que espreitam os lagos para afogar viajantes distraídos.[1]
Estudantes chineses organizaram em Pequim, durante a primavera de 1989, uma grande manifestação de protesto exigindo reformas democráticas. A diminuição das medidas repressoras permitiu este movimento que buscava uma transição rápida da China para a democracia. Entretanto, quando os estudantes estavam reunidos, na praça de Tiananmen, o governo ordenou uma enérgica repressão e centenas de manifestantes foram assassinados. Esta imagem mostra o momento em que os estudantes ergueram uma estátua de 10 m, a qual denominaram Deusa da democracia, lembrando a estátua da Liberdade dos Estados Unidos.
Gênesis, primeiro livro do Antigo Testamento. Seu nome se origina nas palavras Genesis kosmou (em grego, “origem do cosmos”), título conservado na Septuaginta. Os judeus o denominam Be-Reshit (“No princípio”). O Gênesis relata o começo do mundo desde o momento em que Deus “criou os céus e a terra” (Gên.1,1) até a morte de José, o 11º filho do patriarca hebreu Jacó. A obra pode ser dividida em duas partes. A primeira (Gên.1-11) é dedicada à historia primitiva da humanidade e contém narrativas sobre o primeiro homem e primeira mulher, o pecado original, a primeira morte, o primeiro homicida, o dilúvio enviado por Deus para destruição de todos os pecados e erros - excetuando a família do “homem justo” (Gên.6,9) e das criaturas cuja conservação este homem se encarregou, a confusão de idiomas e a dispersão dos povos. Na primeira parte do Gênesis está, também, a primeira aliança estabelecida por Deus com a humanidade através da pessoa de Noé (Gên., 9;9;17). A segunda parte (Gên.12-50) centra-se, sobretudo, no relato das vidas dos patriarcas hebreus Abraão, Isaac e Jacó, ou seja, uma história das origens da nação hebraica.
Gnosticismo, movimento religioso esotérico que floresceu durante os séculos II e III e trouxe um desafio para os cristão ortodoxos. A maioria das seitas gnósticas professavam o cristianismo, mas suas crenças eram diferentes da dos cristãos dos primeiros tempos da Igreja. Para seus seguidores, o gnosticismo prometia um conhecimento secreto do reino divino. Segundo os gnósticos, sementes do Ser Divino caíram até o universo material — que, em sua totalidade, é mau — e foram encarceradas nos corpos humanos. O conhecimento ou gnose poderia despertar estes elementos que voltariam à própria casa, isto é, reino espiritual. Para explicar a ordem do universo material, os gnósticos desenvolveram uma complicada mitologia. Do Deus original, não cognoscível, uma série de divindades menores tinham sido geradas, por emanação. Assim nasceu um Deus mau, criador do Universo e identificado com o Deus do Antigo Testamento. Os cristãos gnósticos se negavam a identificar o Deus do Novo Testamento, pai de Cristo, com o Deus do Antigo Testamento. Para se justificarem, escreveram evangelhos apócrifos (como os evangelhos de Tomás e de Maria) afirmando que Jesus expôs a seus discípulos a interpretação gnóstica de seus ensinamentos. Ou seja, Cristo, o espírito divino, habitou o corpo do homem Jesus mas não morreu na cruz. Desta maneira, os gnósticos rejeitavam o sofrimento, a morte e a ressurreição do corpo terreno. Os gnósticos também não aceitavam outras interpretações literais e tradicionais do Evangelho. Por volta do século III, o gnosticismo começou a ocultar-se diante da oposição e perseguição cristãs. Além disto, conforme a teologia e o dogma cristãos iam se desenvolvendo, os ensinamentos gnósticos começaram a parecer estranhos e muitos seguidores converteram-se às crenças ortodoxas.
Igreja Universal do Reino de Deus, entidade religiosa criada em 1977 pelo Bispo Edir Macedo e que, além dos mais de 3 mil templos espalhados no Brasil, tem casas de oração em mais de 70 países, inclusive Estados Unidos e Portugal. A Igreja Universal criou, para se divulgar, uma rede de comunicação que inclui rádios, jornais e uma cadeia nacional de televisão. Um dos maiores fenômenos sociais brasileiros do final do século, a Igreja Universal tem um número crescente de adeptos que se definem como evangélicos. Primeira igreja brasileira a abrir espaço no exterior, o fundamento de sua fé é a frase “Cristo é o Senhor” e a única imagem reverenciada por seus seguidores é a cruz.
Marcha com Deus pela família e liberdade, movimento organizado por setores conservadores da Igreja Católica, com objetivo de mobilizar a população contra as reformas de base defendidas pelo governo do presidente João Goulart, alertando-a contra o comunismo. Foi um desdobramento do movimento “A cruzada pelo rosário em família”, liderado pelo padre americano Patrick Peiton, e consistiu em uma série de marchas, realizadas nas principais cidades do país. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, contou com o apoio das autoridades governamentais estaduais e de órgãos representantes da classe empresarial.
MILAGRES SÃO “COISAS-FATOS-FENÔMENOS” QUE OS CIENTISTAS AINDA NÃO DECIFRARAM”
Teologia, disciplina que expressa a razoabilidade dos conteúdos de uma fé religiosa, apresentados em um conjunto coerente de proposições. A teologia aplica, no estudo de seus conteúdos, os procedimentos metodológicos, críticos e intelectuais da filosofia. Porém, estes procedimentos são diametralmente opostos aos das ciências naturais e humanas porque partem do pressuposto da fé e seu objetivo final, Deus, não é passível de pesquisa empírica. Portanto, o problema de estabelecer um método rigoroso de raciocínio sobre Deus é crucial em teologia. Judeus, cristãos e muçulmanos dão às escrituras (Torá, Bíblia e Alcorão) uma autoria divina, o que não acontece no hinduísmo e no budismo. A transmissão oral é outro meio de expressão e comunicação da revelação original já que, onde a escrita parece confusa ou inconsistente, a comunidade de crentes a interpreta. Isso ocorre muito mais no islamismo do que non catolicismo. A experiência própria, seja pessoal ou comunitária, tem importante influência na teologia. O teólogo procura a fé em Deus em fenômenos religiosos — como no misticismo e na conversão — e também na vivência cultural, social e política da época.
Teosofia, denominação de qualquer sistema religioso-filosófico que pretende facilitar o conhecimento de Deus e do universo mediante a intuição mística, a investigação filosófica ou ambas. Os primeiros exemplos de pensamento teosófico se encontram nos upanishads hindus, no confucionismo e no taoísmo chinês. No Ocidente, inclui-se em sistemas de pensamento como o neoplatonismo e o gnosticismo. O termo também foi utilizado em relação a um sistema de filosofia hermética, de influências religiosas orientais, desenvolvido em 1875 por Helena Petrovna Blavatsky.

[1]"Diabo," Enciclopédia® Microsoft® Encarta. © 1993-1999 Microsoft Corporation. Todos os direitos reservados.

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